O que há de novo na NBR 15575?

nbr15575-300x169Como é de conhecimento da maioria, a norma de desempenho das construções, NBR 15575, entrará em vigor a partir de março de 2013. Depois de passar por um período de revisão, foi disponibilizada para consulta pública para que os interessados tomassem conhecimento do que foi alterado, sugerissem correções e votassem pela aprovação ou não do projeto.

Pois bem, essa fase do processo está encerrado, agora os revisores irão avaliar todas as sugestões e finalizar o processo para entrada em vigor da norma.

E o que vai mudar em relação a edição de 2008?

Já no início vemos que o título da norma foi alterado, o que era “Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos” agora será “Edifício habitacionais”. Isso já dirime uma dúvida quanto a sua aplicabilidade. Antes, em função do título, não estava claro que sua aplicação devia ser para qualquer edificação, desde que o quesito avaliado não estivesse associado a altura do prédio. A edição vigente diz na pg. 1:

“NOTA: os requisitos e critérios estabelecidos nesta Norma podem ser aplicados a edifícios habitacionais ou sistemas com mais de cinco pavimentos, excetuados aqueles que dependem diretamente da altura do edifício habitacional.”

No caso da acústica, o apartamento de um morador do oitavo andar de um edifício deve proporcionar o mesmo conforto acústico e privacidade, que o apartamento do primeiro ou segundo andar. Assim sendo, o quesito acústica já era aplicável a edificações com qualquer número de pavimentos.

NBR 15575 Parte 3 – Requisitos para os sistemas de pisos

No que diz respeito ao desempenho de pisos, parte 3 da norma, o nível mínimo de ruído de impacto (Nível de Pressão Sonora de Impacto Padronizado Ponderado, LnT’w) entre unidades autônomas que era < 80 dB agora deverá ser ≤ 80 dB, ou seja tem uma margem de 1 dB. Porém, agora existe uma referência sobre áreas de uso coletivo sobre unidades habitacionais, que nesse caso o desempenho mínimo da laje deve ser ≤ 55 dB. Caso haja salão de festas, sala de jogos, home cinemas e outros em cima de unidade habitacional, a laje deve atender a esse desempenho de 55 dB.

nbr 15575, sistema de piso, laje ampliada nervurada, desempenho de piso

Quanto ao ruído aéreo, agora haverá um aumento da exigência. O desempenho do sistema de piso entre unidades autônomas em que um dos recintos avaliados seja dormitório deverá ser igual ou superior a 45 dB, ou seja 5 dB mais restritiva do que propunha a versão anterior (40 dB). Não havia distinção entre quarto e sala. Agora não é mencionada a sala de estar, ou seja, devemos apenas avaliar os dormitórios.

No meu entender ganha-se pelo lado do dormitório que deverá ser mais silencioso, mas perde-se pelo lado da sala uma vez que sendo o ambiente de maior permanência num apartamento não precisará ser avaliado.

Devemos sempre avaliar os dois desempenhos uma vez que pode acontecer do sistema de piso ser atender ao desempenho do ruído de impacto e ser reprovado quanto ao ruído aéreo, e vice-versa.

NBR 10152 – Níveis de ruído para conforto acústico

A par do título do post vou me permitir uma pequena analise desse ponto. Na introdução dessa parte 3, a norma diz

“A inter-relação ente Normas de desempenho e Normas prescritivas deve possibilitar o atendimento às exigências do usuário, com soluções tecnicamente adequadas e economicamente viáveis”.

Como a norma prescritiva associada a parte de acústica é a NBR 10152, essa faz menção clara à níveis de ruído para conforto em dormitórios e salas de estar. Assim sendo, entendo que a norma de desempenho deveria propor um desempenho mínimo também para pisos entre salas de estar, como havia na versão de 2008.

Veremos o que muda na parte 4 em um próximo post.

Por Vítor Litwinczik.