O que há de novo na NBR 15575? (parte 2)

avaliando a norma NBR 15575, nbr 15575, fachadasEstamos nos encaminhando para os últimos dias de 2012. A previsão de entrada em vigor da NBR 15575 era para março de 2013, no entanto, “segundo o engenheiro Paulo Grandiski, participante da comissão de estudos, a publicação dos novos textos das seis partes da NBR15575:2012 deve ocorrer em meados de dezembro, com entrada em vigor prevista para 150 dias após a publicação (aproximadamente maio de 2013)”.

Nesta segunda parte do artigo, vamos ver como ficaram as alterações propostas para a parte 4 – Sistema de vedações verticais externas e internas. A parte 5 – Sistemas de coberturas, não houve alterações significativas, logo não falaremos a respeito.

NBR 15575 Parte 4 – Sistemas de Vedações Verticais Externas e Internas.

Sistemas de Vedações Verticais Externas.

Inicialmente, com respeito às fachadas, sua aplicação se restringe, de forma clara, aos dormitórios das unidades habitacionais não sendo mais necessário avaliar a fachada de salas de estar.

Anteriormente o desempenho mínimo era dado por uma faixa de aceitação e havia uma penalização de +5 dB para esses limites no “caso de habitação localizada junto a vias de tráfego intenso (rodoviário, ferroviário ou aéreo)” como mostra a tabela 1 a seguir.

Tabela 1 – Valores recomendados da diferença padronizada de nível ponderada da vedação externa, D2m,nT,w, para ensaios de campo

Elemento D2m,nT,w [dB] D2m,nT,w +5 [dB]
Vedação externa de dormitórios 25 a 29 30 a 34

Na revisão proposta, a norma classifica a região onde está a edifição em 3 tipos e determina um limite único de ruído conforme a situação (tabela 2).

Tabela 2 – Valores mínimos da diferença padronizada de nível ponderada, D2m,nT,w, da vedação externa de dormitórios

Classe de ruído Localização da habitação D2m,nT,w [dB]
I Habitação localizada distante de fontes de ruído intenso de quaisquer naturezas. ≥ 20
II Habitação localizada em áreas sujeitas a situações de ruído não enquadráveis nas classes I e III. ≥ 25
III Habitação sujeita a ruído intenso de meios de transporte e de outras naturezas, desde que esteja de acordo com a legislação. ≥ 30

NOTA 1 – Para vedação externa de salas, cozinhas, lavanderias e banheiros, não há requisitos específicos.
NOTA 2 – Em regiões de aeroportos, estádios, locais de eventos esportivos, rodovias e ferrovias há necessidade de estudos específicos.

Embora similar à situação anterior quanto ao ruído externo, agora teremos um nível objetivo de avaliação. A Classe de ruído III faz menção aos limites de ruído urbano que devem ser verificados observando a norma NBR 10151 e a legislação municipal local.

Na versão vigente, me parece um pouco vago definir uma “via de tráfego intenso”. As vezes o tráfego mais intenso pode provocar a redução da velocidade dos carros com consequente redução do nível de ruído global.

A criação de classes de ruído me pareceu uma boa alteração. No entanto, a classe III que é a mais restritiva faz menção a “estar de acordo com a legislação”. Ora, se formos medir os níveis de ruído urbanos veremos que quase sempre esse nível está acima do recomendado pela legislação. Nesse ponto penso que a revisão poderia ser mais aberta retirando esse detalhe. De forma alternativa, poderia ser criada uma classe IV, mais restritiva, para “Habitações sujeitas a ruídos urbanos intensos que não respeitam a legislação”, ou mesmo ter uma nota indicando a necessidade de atendimento ao desempenho intermediário (nível indicado no anexo da norma).

Numa avaliação rápida a classe II deve ser usada quando a habitação não se enquadra nas demais classes. Ora, seguindo a risca o que diz a classe III, para um local com ruído de tráfego intenso e que não respeita a legislação, deveríamos então classificar a região como classe II? A resposta seria não, em função do nível de desempenho exigido para a classe II, mas o texto da norma pode dar margem a essa interpretação equivocada.

Sistemas de Vedações Verticais Internas.

A tabela 3 mostra os níveis indicados na versão atual.

Tabela 3 – Valores recomendados da diferença padronizada de nível ponderada, entre ambientes, DnT,w, para ensaios de campo

Elemento DnT,w [dB]
Paredes de salas e cozinhas entre unid. habitacionais e áreas comuns de trânsito eventual, como corredores, halls e escadarias nos pavimentos-tipo 30 a 34
Paredes de dormitórios entre uma unid. habitacional e corredores, halls e escadarias nos pavimentos-tipo 40 a 44
Parede entre uma unid. habitacional e áreas comuns de permanência de pessoas, atividades de lazer e esportivas, como home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas 45 a 49
Parede entre unid. habitacionais autônomas (parede de geminação) 40 a 44

Na forma como está definido, o isolamento de paredes de salas e cozinhas entre unidades habitacionais e áreas comuns de trânsito eventual recaia quase totalmente no desempenho da porta, uma vez que essas paredes costumam ser compostas apenas pela porta e uma pequena fração de alvenaria. Uma porta com desempenho de 30 dB (mínimo) já pode ser considerada como uma porta acústica, ou seja, nos moldes em que se encontra seria impossível atender ao desempenho mínimo num custo viável. Além disso, se pensarmos que nos corredores ou hall as pessoas estão ali apenas no tempo de espera do elevador, não faz sentido cobrar tanto desempenho para uma única porta.

Tabela 4 – Valores mínimos da diferença padronizada de nível ponderada, DnT,w, entre ambientes

Elemento DnT,w [dB]
Parede entre unidades habitacionais autônomas (parede de geminação), nas situações onde não haja ambiente dormitório ≥ 40
Parede entre unidades habitacionais autônomas (parede de geminação), no caso de pelo menos um dos ambientes ser dormitório ≥ 45
Parede cega de dormitórios entre uma unidade habitacional e áreas comuns de trânsito eventual, tais como corredores e escadaria nos pavimentos ≥ 40
Parede cega de salas e cozinhas entre uma unidade habitacional e áreas comuns de trânsito eventual, tais como corredores e escadaria dos pavimentos ≥ 30
Parede cega entre uma unidade habitacional e áreas comuns de permanência de pessoas, atividades de lazer e atividades esportivas, tais como home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas ≥ 45
Conjunto de paredes e portas de unidades distintas separadas pelo hall (DnT,w obtida entre as unidades) ≥ 40

Além do nível único já falado, são apresentadas outras situações entre ambientes (tabela 4), e uma delas, a última listada, merece atenção.

Situação típica de “Conjunto de paredes e portas de unidades distintas separadas pelo hall”.

No último item foi proposta uma alteração que avalia o conjunto “sala, porta, corredor/hall, porta, sala”, ou seja, está considerando o desempenho da interface entre dois ambientes de permanência de pessoas que são as salas de estar das unidades habitacionais.

Nesse caso, além de permitir a realização dos ensaios, o que antes não era possível pelas dimensões usuais de corredores/hall, faz mais sentido como uso corrente desses ambientes.

Agora é possível avaliar a privacidade entre duas unidades, mesmo que não haja uma parede de geminação entre elas. Além disso, teremos uma exigência de desempenho acústico mais condizente com a realidade para uma de uso convencional. A aplicação correta de borrachas de vedação nos batentes e vedação inferior, seja com soleira ou trava retrátil, deve garantir o mínimo de privacidade exigida entre as unidades habitacionais.

 

Por Vítor Litwinczik