Drywall ou alvenaria, quem é melhor?

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Esquema de sistema de partição vertical misto.

Depois de algum tempo fazendo avaliações de desempenho de construções no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e agora iniciando no Paraná, acredito que muito de nossos problemas acústicos na construção civil é consequência da falta de industrialização e padronização de nossos processos construtivos.

Acho que esse problema tem duas origens que são casadas. Uma questão é cultural, o consumidor não acredita no desempenho que uma parede de drywall proporciona. A outra é a falta de qualidade/capacitação da mão de obra disponível no mercado para uma produção industrializada.

Cultura e qualidade de instalação

A falta de capacitação fica clara quando para levantar uma parede de alvenaria basta uma espátula e um prumo, já para uma parede de drywall precisamos ter, entre outros: furadeira, parafusadeira, serrote ponta e comum, ler!

Essa falta de mão de obra junto com a “adaptação” do processo construtivo à redução de custo faz com que o sistema não proporcione todo desempenho divulgado. Como consequência, o consumidor final não acredita que o drywall seja uma boa solução construtiva, pedindo por paredes de alvenaria convencional.

O consumidor ainda quer ouvir o som “sólido” da alvenaria e desconfia do som “oco” do drywall. No entanto, muitas das vezes não reclama do isolamento acústico do sistema!

Se pensarmos que paredes de cinema normalmente são feitas de drywall e que o ruído fica confinado, por que esse sistema não pode ser usado com sucesso em edificações habitacionais?

Drywall ou alvenaria?

Em uma aula um aluno me apresentou uma situação onde o irmão tocava violoncelo e incomodava todo mundo na casa, culpando a parede de gesso acartonado pela falta de isolamento.

Comparando uma parede de blocos maciços de solo cimento de 15cm (Rw 43 dB) com uma parede de gesso acartonado simples preenchido com lã de vidro (Rw 45 dB) podemos notar o que acontece.

Índice de Redução Sonora, Rw, de drywall e bloco solo cimento.

Índice de Redução Sonora de drywall e bloco solo cimento. Dados encontrados na web.

Embora o gesso acartonado tenha um índice de redução sonora, Rw, superior ao bloco de solo cimento, suas curvas de atenuação são distintas. Enquanto na faixa principal do espectro sonoro da voz, 250 Hz a 2000 Hz, médias e altas frequências, o drywall funciona melhor que o bloco de solo cimento, em frequências abaixo de 250 Hz, os sons mais graves como de um violoncelo, a parede de solo cimento oferece melhor resultado de isolamento. O mesmo acontece nos agudos muito fortes, nas frequências acima de 2500 Hz.

Na figura, a linha azul mostra nitidamente o que acontece com o sistema de drywall sem o preenchimento com manta acústica. Nesse nosso exemplo, tal fato poderia representar a “adaptação” que falei anteriormente.

Assim, de uma forma geral, para os sons de médias a altas frequências como o os sons do cotidiano ou da voz, o sistema de drywall pode ser mais eficiente que uma parede de alvenaria convencional. Em situações mais críticas, diferentes composições de drywall podem resolver o problema, é uma questão de dimensionamento correto do sistema.

Tentando responder a pergunta inicial, o melhor sistema vai depender principalmente das características do ruído da fonte sonora. Sabendo isso podemos fazer a melhor especificação da solução construtiva e com menores chances de errar.

Então, quais as razões para não usar esse sistema em nossas construções?

Por Vitor Litwinczik.