Conforto acústico em restaurantes

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Chez MIS, São Paulo-SP.

Por trabalhar com acústica, fico olhando para o teto quando entro em bares e restaurantes. Outro dia alguém me falou que ninguém olha para cima. Será por isso que muitos restaurantes são muito barulhentos, ou melhor, não possuem tratamento acústico adequado? Tem muito restaurante que é bem decorado, possui cardápio diferenciado, bom atendimento, mas acusticamente desconfortáveis, ruidosos.

Quando temos dificuldade para entender a conversa em nossa mesa, ou precisamos falar alto para sermos ouvidos é nessa hora que a falta de tratamento acústico vem à tona!

Italiano x Japonês

Mas ter tratamento acústico não quer dizer ter um ambiente muito silencioso. Cada tipo de ambiente requer um tratamento acústico específico. Por exemplo, é de se esperar que um restaurante japonês seja naturalmente mais silencioso, intimista, que um restaurante italiano. Isso está associado à cultura de cada povo. Por ser o italiano naturalmente mais extrovertido, falar todo mundo ao mesmo tempo, é aceitável que uma cantina italiana tenha um tratamento acústico mais leve. Já a cultura japonesa remete à meditação, silêncio, logo o tratamento acústico de um restaurante japonês deve ser mais elaborado. Então para cada tipo de ambiente um tratamento acústico apropriado. Veja a matéria “Bares e restaurantes precisam se preocupar com o conforto acústico de seus clientes” sobre um trabalho que fizemos em um restaurante especializado em frutos do mar em Florianópolis.

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Rancho Açoriano, Coqueiros, Florianópolis-SC.

Muitas vezes se associa acústica a alto custo, mas isso não é sempre verdade. Se pensarmos o projeto acústico no início da obra, junto com o projeto arquitetônico, o custo da acústica será reduzido. O alto custo de um projeto acústico está mais associado à necessidade de ter que fazer reformas, refazer trabalho. Tenho a impressão que esquecemos o sentido da audição em detrimento da visão. Quem sabe num futuro próximo comecemos a ouvir os ambientes.

E o que você acha da qualidade acústica dos lugares que frequenta?

Por Vítor Litwinczik