Desempenho da fachada, o próximo item da NBR 15575

Um ano depois da norma de desempenho entrar em vigor, percebe-se a preocupação de muitas construtoras em saber se seus processos construtivos atendem às novas exigências.

O desempenho acústico continua a preocupar. Muito se deve ao desconhecimento, quase total, da acústica de construções, o qual é pouco tratado nos cursos de graduação.

Entre os requisitos de acústica, o ruído de impacto nos pisos era o mais preocupante. Com a grande diversidade de mantas de isolamento de piso existentes no mercado, seja para uso em contrapisos flutuantes ou diretamente sob pisos laminados ou cerâmicos, muitas construtoras têm feitos ensaios para saber se elas realmente funcionam. Isso indica que para esse requisito um caminho de solução é conhecido, ou seja, por ora a solução para o problema do ruído de impactos parece ser o uso de mantas acústicas.

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Desempenho da fachada

O próximo quesito de acústica a ser estudado parece ser o desempenho da fachada. Nesse caso o ponto fraco são as esquadrias. Apenas ter uma boa especificação de vidro não é suficiente. Se a esquadria for de baixa qualidade e/ou mal instalada o desempenho da fachada pode estar comprometido.

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Medição de ruído incidente na fachada.

No entanto, a necessidade de ter uma janela com melhor desempenho varia conforme o tipo de ruído do entorno. A parte 4 da norma NBR 15575, apresenta uma tabela com o nível de desempenho mínimo da fachada, DnT,w, conforme uma classe de ruído no entorno do empreendimento.

 Diferença padronizada de nível ponderada da vedação externa  DnT,w
Classe de ruído  Localização da habitação  Mínimo
I  Habitação localizada distante de fontes de ruído intenso de quaisquer naturezas  ≥ 20 dB
II  Habitação localizada em áreas sujeitas a situações de ruído não enquadráveis nas classes I e III  ≥ 25 dB
III  Habitação sujeita a ruído intenso de meios de transporte e de outras naturezas, desde que esteja de acordo com a legislação.  ≥ 30 dB
 Nota 1: Para vedação externa de salas, cozinhas, lavanderias e banheiros, não há exigências específicas.
 Nota 2: Em regiões de aeroportos, estádios, locais de eventos esportivos, rodovias e ferrovias há necessidade de estudos específicos

 

Caracterização do ruído do entorno

Uma maneira de determinar a classe de ruído externo é por meio da comparação do tipo de zoneamento da região com os limites de ruído apresentados na norma NBR 10151 ou na legislação local. Esse método, apesar de válido, pode não representar a realidade local, subestimando os níveis de ruído existente na região. Por consequência, pode-se optar por janelas e esquadrias mais simples e não atender às exigências da norma de desempenho.

Para evitar esse possível erro é recomendável fazer a caracterização dos níveis de ruído de entorno com base em levantamentos de níveis de ruído no local, em situações que caracterizem os momentos mais críticos de incidência de ruído.

Ainda assim, a classificação com base na versão vigente da norma não é clara. Seria mais recomendável definir as classes de ruído com base em níveis de ruído objetivos. Nesse caso, cabe um estudo mais aprofundado de quais os níveis de ruído que representam as 3 classes.

Uma proposta de classificação objetiva é apresentada no Manual ProAcústica sobra a Norma de Desempenho, da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica – ProAcústica. No entanto, essa classificação não é oficial, apenas uma sugestão para balizar as decisões do profissional na classificação do ruído de entorno. Dessa forma, cabe ao profissional classificar o entorno com base na sua interpretação da legislação e da situação encontrada no local. É importante que esse trabalho de classificação seja bem documentado para manter um registro da situação presente durante as medições.

E como é o tipo de ruído na sua região? Os níveis estão de acordo com a legislação?

Vitor Litwinczik