Desempenho acústico antes da NBR 15575

A norma de desempenho das construções, NBR 15575, trouxe para a discussão o tema do desempenho acústico de sistemas construtivos. Pode-se dizer, que essa preocupação apareceu com força apenas depois que uma matéria foi apresentada em um telejornal.

No entanto, olhando com cuidado veremos que ao menos o desempenho das fachadas, que na NBR 15575 são chamadas de Sistemas de Vedação Vertical Externa, já era cobrado há pelo menos 14 anos.

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Normas de acústica

Antes da NBR 15575, a acústica de construções era regida pelas normas ABNT NBR 10151:2000, Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade, que trata do ruído externo à edificação; NBR 10152:1987 – Níveis de ruído para conforto acústico, que prescreve níveis e características de ruído interno a diferentes tipos de ambiente e uso, e a NBR 12179:1992 – Tratamento Acústico em Recintos Fechados, que apresenta o gráfico de tempo de reverberação ideal para diferentes tipos de ambientes e um procedimento para realização de projetos de condicionamento acústico.

Olhando apenas as normas prescritivas NBR 10151 e NBR 10152, como a primeira prescreve o nível de ruído externo e a segunda o nível de ruído interno a um ambiente, podemos inferir facilmente que o nível de desempenho acústico da fachada será dado pela diferença entre o nível de ruído externo e o interno.

Desempenho antes da NBR 15575

Seguindo essa ideia e considerando que os níveis de ruído do entorno respeitem a legislação, vejamos duas situações. A NBR 10152 nos diz que o nível de ruído para conforto acústico dentro de um dormitório deve ser de 35 dBA. No caso de uma edificação localizada em uma zona mista residencial, a NBR 10151 diz que o nível máximo de ruído externo deverá ser de 55 dBA, durante o dia. Isso implica que a fachada do dormitório deve ser capaz de atenuar 20 dB para garantir o conforto acústico interno. Já para uma edificação localizada em uma zona industrial, o nível de ruído externo deve ser no máximo 70 dBA, o que implica em um desempenho acústico da fachada de 35 dBA.

Ocorre que a NBR 10151, que é mais atual que a NBR 10152, apresenta em seu item 6.2.3 o seguinte:

6.2.3 O nível de critério de avaliação NCA para ambientes internos é o nível indicado na tabela 1 com a correção de – 10 dB(A) para janela aberta e – 15 dB(A) para janela fechada.

Ou seja, esse item inutiliza a prescrição de nível de ruído para conforto no dormitório, pois a diferença entre externo e interno deverá ser sempre de 15 dB quando a janela do dormitório estiver fechada.

Desempenho com a NBR 15575

Vejamos agora a norma de desempenho NBR 15575-4, que indica o desempenho da fachada de acordo com a classe de ruído do local onde está o empreendimento.

Níveis de desempenho acústico mínimos para sistema de fachadas.

 Diferença padronizada de nível ponderada da vedação externa  DnT,w
Classe de ruído  Localização da habitação  Mínimo
I  Habitação localizada distante de fontes de ruído intenso de quaisquer naturezas  ≥ 20 dB
II  Habitação localizada em áreas sujeitas a situações de ruído não enquadráveis nas classes I e III  ≥ 25 dB
III  Habitação sujeita a ruído intenso de meios de transporte e de outras naturezas, desde que esteja de acordo com a legislação.  ≥ 30 dB
 Nota 1: Para vedação externa de salas, cozinhas, lavanderias e banheiros, não há exigências específicas.
 Nota 2: Em regiões de aeroportos, estádios, locais de eventos esportivos, rodovias e ferrovias há necessidade de estudos específicos

 

Os zoneamentos indicados nos exemplos poderiam ser classificados como Classe I e III, respectivamente. Em relação ao desempenho mínimo, a norma 15575 é mais branda do que os exemplos apresentados.

Isso indica que embora exista uma diferença de 5 dB entre os desempenhos Mínimos da norma NBR 15575 e os exemplos dados, pode-se entender que tais níveis foram indicados considerando os níveis sonoro prescritos nas duas normas anteriores, como era de se esperar.

A situação apresentada é baseada nas versões vigentes das três normas. Porém as NBR 10151 e NBR 10152 já estão em processo de revisão e logo deverão entrar em vigor. É aguardar para ver como ficarão essas normas.

Quanto a NBR 15575, podemos dizer que ainda está em fase de implementação e testes. Muitos ensaios devem ser realizados e os resultados discutidos para que sejam ajustados em uma próxima revisão.

Vitor Litwinczik