Pavimento silencioso reduz ruído de tráfego rodoviário

Uma vez ouvi uma história no rádio de um brasileiro que viajava de carro pelo Japão acompanhado de um japonês. Enquanto o brasileiro elogiava a preocupação que eles tinham em proteger a população do ruído do tráfego rodoviário por meio de barreiras acústicas, o japonês dizia que no Brasil era melhor, pois era possível ver a paisagem enquanto se estava na estrada.

O uso de barreiras acústicas em estradas é uma forma consagrada de controle de ruído do tráfego. Quando bem dimensionadas, podem promover a redução de até 20 dBA no nível de ruído da rodovia, de acordo com as posições relativas da fonte e receptores à barreira. Porém, como mostrado no início, elas podem ser boas no controle de ruído e ao mesmo tempo descaracterizar totalmente uma localidade, se pensarmos em estradas que cruzam pelo meio de cidades. Uma forma de evitar o uso de barreiras seria pela realização de estudos de impactos de ruído de tráfego, no sentido de avaliar melhor o traçado das estradas, ou por meio de pavimentos “silenciosos”, que absorvem a energia sonora gerada pelo impacto dos pneus com o asfalto.

Veja a matéria publicada no portal Euronews sobre o desenvolvimento de um tipo de pavimento silencioso capaz de reduzir em 8 dB o nível de ruído que é gerado pelo contato do pneu no pavimento.

Soluções contra o ruído do tráfego rodoviário

 

“Há demasiado barulho provocado pelo tráfego rodoviário que tem pouco a ver com o motor dos carros porque a principal fonte é o rolamento dos pneus no pavimento. Como lidar com a situação? “, pergunta Denis Loctier, repórter da euronews.

Uma solução está a ser testada na cidade de Kalvehave, na Dinamarca. Parte da estrada foi coberta com um material experimental que amortece o barulho dos pneus.

“Se quiser diminuir o barulho do trânsito tem de diminuir o barulho dos pneus, melhorando a superfície da estrada. Há três parâmetros – a textura, a absorção e a elasticidade. A elasticidade é um parâmetro que ainda não foi explorado até agora”, descreve Luc Goubert, investigador do Centro de Pesquisas Rodoviárias e coordenador do projeto PERSUADE.

As medições acústicas mostram que esta cobertura elástica, desenvolvida por um projeto de investigação europeu, remove cerca de 85 por cento da energia do ruído do tráfego rodoviário.

“Uma redução de cerca de 8 decibéis é notável”, explica Hans Bendtsen, investigador no laboratório dinamarquês DRD, acrescentando que “se se quisesse obter a mesma redução de barulho, seria necessário uma barreira contra o ruído de uma altura de cerca de cinco metros”.

“Como funciona o amortecimento do som?”, pergunta Denis Loctier, da euronews, que encontrou a resposta no laboratório DRD em Fløng, na Dinamarca. O centro está a testar um material que deixa a água das chuvas passar e que permite a aderência dos pneus.

“O material poroelástico da estrada é composto por borracha esmagada proveniente de pneus usados de carros e granito triturado, sendo colados com poliuretano”, exemplifica Annette Neidel, técnica no laboratório DRD.

A ideia de cobrir as estradas com pneus reciclados não é nova mas as tentativas precedentes chumbaram o teste da durabilidade e de outras características importantes e agora o laboratório está “a tentar desenvolver material que tenha uma elevada e boa redução de ruído, boa durabilidade, bom preço e bom atrito”, explica Hans Bendtsen.

O atrito é fundamental para a segurança na estrada. É o que se estuda noutras pistas, como na cidade de Linköping, na Suécia. No inverno, o material com borracha pode ter uma melhor aderência que o asfalto normal.

“Estou a medir o atrito com este carro especial que tem uma quinta roda. Ao baixar a roda com este botão, posso determinar o atrito nesta estrada especial”, descreve Carl o engenheiro Carl Södergren, do Instituto Sueco de Investigação das Estradas e dos Transportes (VTI) .

O investigador Ulf Sandberg acrescenta: “Esta superfície é muito mais cara do que um pavimento normal, mas pensamos que deveria ser usada como uma alternativa às barreiras contra o ruído que são muito caras. Poderia ser uma opção viável para tais casos.”

Será uma opção durável? Os investigadores usam este aparelho para simular o desgaste em um pavimento-teste e obtêm a velocidade a que o material se deteriora e quanta poluição produz: “Sabemos que esta superfície poroelástica é tão durável quanto o asfalto normal. Aqui também medimos a quantidade de pó que é produzida e esta superfície está a produzir menos do que no asfalto normal”, afirma o investigador Bjorn Kalman.

Os investigadores dizem que este material é ecológico e de confiança e esperam que, em breve, venha a substituir as barreiras acústicas na Europa.

Para saber mais, clique em :http://www.persuadeproject.eu