Acústica, arquitetura e a música.

(Foto Antônio Scroza)

(Foto Antônio Scroza)

Passado o carnaval me lembrei de uma notícia interessante do ano passado a respeito da Avenida Marquês de Sapucaí. Nesse post vamos falar um pouco sobre acústica, arquitetura e música e resgatar aquela notícia, será que algo mudou?

Uma vez que o som que ouvimos é na verdade a “resposta” do ambiente a uma excitação, que pode ser uma voz, ou uma música, ou um ruído qualquer, a acústica está ligada a arquitetura que está intimamente ligada à música.

Mas como assim a resposta do ambiente? Por exemplo, quando ouvimos nossa voz, estamos ouvindo o som que sai pela boca, interage com o ambiente e retorna aos nossos ouvidos. Alem disso, tem a interação com a cabeça, pela vibração dos ossos, amortecimento com os tecidos e outros mecanismos. É muito comum não gostarmos de ouvir nossa própria voz gravada, soa estranho. Claro, não temos a “resposta” da cabeça, ou seja, a parcela da interação do som com a cabeça, apenas a parcela que interage com o ambiente.

Quem é músico ou gosta do tema sabe que determinados tipos de composição foram feitas para serem tocadas em locais específicos. A música barroca soa melhor em igrejas barrocas. As tocatas de Bach, por exemplo, foram feitas para serem tocadas nas igrejas barrocas da Alemanha. Os tempos de reverberação, característicos das igrejas onde ele frequentava, influenciavam diretamente nas criações de suas obras. O tempo de reverberação de uma construção é determinante para a boa inteligibilidade da fala dentro dela, ou seja, da compreensão do que está sendo dito. O canto gregoriano é um exemplo. As igrejas góticas possuem pé direito muito elevado, consequentemente com tempo de reverberação alto, isso faz com que seja necessário falar de forma mais lenta e alongada para que toda informação chegue com clareza aos ouvintes. Por isso o canto gregoriano tem aquelas frases alongadas.

Com a evolução tecnológica, isso se perdeu um pouco, é possível realizar algumas correções acústicas com sonorização adequada e sistemas eletrônicos de compensação. Ainda assim, no caso de orquestras, principalmente, os músicos sentem a reverberação da sala onde irão tocar e ajustam seus movimentos para tirarem notas um pouco mais longas ou curtas, compensando um pouco a qualidade acústica da sala.

Quem não se lembra das críticas de João Gilberto na inauguração do CrediCard Hall? O ambiente foi construído para abrigar diversos tipos de música, no entanto não agradou aos ouvidos apurados de João Gilberto, e confirmado por outros artistas.

acústica, sala são pauloA Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), além de todo cuidado com a acústica em sua construção, possui um sistema de teto móvel que permite adequar o tempo de reverberação da sala ao tipo de música que será tocada.

E o samba? Será que a acústica de construções interfere apenas na música erudita? Em tempos de carnaval, ano passado a Avenida Marquês de Sapucaí passou por reformas que interferiram diretamente em sua acústica! Veja a matéria que saiu no portal G1na imprensa no carnaval do ano passado “Escolas aprovam reforma, mas fazem ressalvas à acústica e luz da Sapucaí”. Será que tivemos um ajuste de ritmo nos sambas enredo, ou alguma nova afinação dos sambas para ter uma melhor reprodução durante os desfiles?

Por Vítor Litwinczik

Escolas aprovam reforma, mas fazem ressalvas à acústica e luz da Sapucaí

Carnavalescos e diretores citam espaço como ponto alto da reforma.Com obras, passarela do samba ganhou 12,5 mil lugares, diz Riotur.

acústica no carnaval

Com reforma, Sapucaí ganhou 12,5 mil novos lugares (Foto: AP)

As novas arquibancadas e silhueta da Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio de Janeiro, não agradaram apenas ao público que foi conferir o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, mas também os carnavalescos e mestres de baterias. Para alguns, o ponto forte é o espaço, que ficou maior. Para outros, a iluminação deixou a desejar e as alterações provocaram mudanças na acústica do ambiente. “O som demora para se propagar”, diz mestre Thiago Diogo, da Unidos do Porto da Pedra.

 

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