Cidades e poluição sonora

Nós conversamos com o engenheiro sanitarista Rafael Ribeiro, que até 2011  atuava na Fundação Municipal do Meio Ambiente de Joinville, em Santa Catarina, sobre o problema de ruído. Leia o resultado dessa conversa.

O ruído é o principal poluente depois da contaminação hídrica. O barulho permeia atividades por 24 horas e é apontado como uma das causas da falta de qualidade de vida em grandes cidades. Pesquisas em acústica estão voltadas para minimização da poluição sonora, com objetivo de melhorar o bem-estar da população.

O barulho ao qual estamos expostos diariamente pode ser causador de doenças irreversíveis. É o caso da surdez. Um ruído acima de 105 dB faz com que o ouvido comece a ter perda auditiva após meia hora de exposição sem proteção auricular. Os efeitos mais graves se implantam com o tempo. Além disso, a saúde sofre com o estresse, mudanças de humor, dificuldade de concentração e podem refletir em baixa produtividade.

rafael ribeiro, poluição sonora, ruído urbanoEm locais com ruído acima de 85 dB, as pessoas devem utilizar proteção auricular para não terem problemas auditivos. O incômodo provocado pela poluição sonora é um atributo subjetivo. Devido a isso, pesquisadores têm dificuldade em avaliar quantitativamente a perturbação, pois depende da noção de audibilidade do ouvinte, do grau de aceitação do barulho, da escolaridade e o próprio desconforto que causa. Entre as fontes de ruído temos os sistemas de transporte, indústrias, casas noturnas, templos religiosos, escolas, máquinas, propaganda em carros, aparelhos domésticos, obras de construção civil, etc. Muitas têm desrespeitado os limites de emissão de ruído e os horários regulatórios especificados pela legislação. Construções de habitações próximas das vias de tráfego intenso são inviáveis por conta do elevado grau de pressão sonora. A residência pode se tornar um espaço de estresse.

Isso justifica o desenvolvimento de pesquisas em acústica, voltadas à redução do ruído em locais de convivência, circulação pública e nos equipamentos. Objetivo final é de melhorar o bem-estar, mas o mercado também começa a investir em qualidade sonora para ter retorno financeiro. No Brasil, foi determinado aos fabricantes e importadores que as embalagens tenham os níveis de potência sonora. O ruído passou a ser uma característica fundamental nos critérios de excelência dos produtos. A engenharia tem possibilitado às fábricas aprimorarem novas tecnologias com baixo custo de produção e com diferencial no mercado. O consumidor precisa exigir equipamentos que não agridam o meio ambiente, recicláveis, biodegradáveis e mais silenciosos. Projetos e construções devem priorizar estudos das emissões de barulho, formas de diminuir esse impacto e plano de monitoramento de ruído. Mas para isso é necessário conscientizar as pessoas de que o excesso de ruído prejudica a saúde. Estão comprovadas pela ciência e pela literatura.

A população de cidades afetadas pelo ruído chega a 80%, mas o número de municípios com legislação restritiva e apropriada ou com serviço de fiscalização não chega a 2%. Em países desenvolvidos o controle da poluição sonora é mantido dentro dos níveis aceitáveis dos habitantes. No Brasil isso ainda é deficitário. Em Joinville, há uma resolução que considera o zoneamento e o nível de ruído permitido. Prioriza o silêncio em zonas residenciais e permite níveis mais altos em zonas industriais. Ou seja, é um dos poucos municípios com regulamentação própria.