Estratégias para o controle de ruído

As estratégias de controle de ruído devem ter por objetivo reduzir o ruído existente a níveis aceitáveis de ação sobre o ambiente de trabalho. Tal ação envolve a aplicação de medidas para reduzir o nível de ruído gerado por uma fonte, ou transmitido pelo ar, ou através da estrutura onde está a fonte sonora. Essas medidas podem incluir modificações nas máquinas, nas operações das máquinas e no layout dos ambientes de trabalho.

Objetivamente, a melhor abordagem para controle de ruído no ambiente de trabalho é eliminar ou reduzir o ruído na sua fonte de geração, seja por ação direta sobre a origem ou por seu confinamento.

Porém, muitas vezes é inviável implementar um programa global de controle em uma planta industrial de uma só vez, e considerações de ordem prática não devem ser esquecidas. Os problemas mais urgentes devem ser resolvidos em primeiro lugar e por isto prioridades têm que ser criadas. Em certos casos, a solução pode ser definida por meio de uma combinação de medidas que sozinhas não seriam satisfatórias, por exemplo, para atingir determinado nível de ruído, parte da redução necessária pode ser feito através de medidas ambientais e complementá-las com medidas pessoais como uso de protetores auriculares em apenas 2 a 3 horas de trabalho.

Antes da seleção e concepção de medidas de controle, as fontes de ruído devem ser identificadas e o ruído cuidadosamente caracterizado e avaliado.

Para se definir corretamente o problema do ruído e a correta estratégia de controle, devemos considerar os seguintes fatores:

•   Tipo e níveis de ruído.

•    Distribuição de frequências (espectro de ruído).

•    Fontes de ruído (localização, diretividade e potência sonora da fonte).

•    Vias de propagação de ruído (através do ar ou da estrutura).

•    Tempo de reverberação sonora do ambiente.

Além disso, outros fatores devem ser considerados, por exemplo, número de trabalhadores expostos, tipo de trabalho, etc. Se em um determinado ambiente, um ou dois trabalhadores estão expostos ao ruído, medidas de engenharia podem não ser a melhor solução e outras opções de controle devem ser consideradas como a combinação de proteção pessoal e limitação da exposição.

A necessidade de controle em uma situação particular é determinada pela avaliação dos níveis de ruído no ambiente de trabalho. Se o tempo de permanência de um trabalhador em um ambiente ruidoso é apenas uma fração da sua jornada de trabalho, então, pode-se permitir trabalhar com níveis de ruído um pouco mais elevados. Esses níveis de ruído devem seguir o determinado na norma regulamentadora NR 15, do Ministério do Trabalho, e as diretrizes internas de cada indústria, que podem trabalhar ou não com níveis de ruído mais restritivos que os recomendados pela referida norma.

Todo problema de ruído pode ser descrito em termos de uma fonte sonora, um caminho de transmissão e um receptor (o trabalhador) e o controle de ruído pode atuar em qualquer um, ou em todos esses elementos.

Em relação ao ruído produzido por uma determinada máquina ou processo (fonte sonora), a experiência nos mostra que quando o controle é feito de forma a entender os mecanismos de produção de ruído e alterá-lo para se ter um processo mais silencioso, em vez de fazer uso de barreiras para controle na transmissão do ruído, o resultado se torna mais efetivo. Claramente, a melhor forma de controle de ruído é aquela implementada ainda no projeto original da fonte. Tem-se observado também que, quando a geração de ruído é considerada no projeto de uma nova máquina, as vantagens se manifestam não só em termos de menor geração de ruído mas resultam de forma geral numa máquina mais eficiente e melhor como um todo. Essa vantagem gera um incentivo econômico para sua implementação e o controle de ruído se torna um benefício incidental. Infelizmente, na maioria das indústrias, técnicos e engenheiros de segurança do trabalho dificilmente tem condições de fazer alterações importantes para controle em máquinas ruidosas.

Se o ruído não pode ser controlado a um nível aceitável na fonte, deve-se partir para atenuar o ruído no caminho de propagação, isto é, o caminho percorrido pela energia sonora até atingir o ouvido do trabalhador.   Esse caminho não é único, existem muitas possibilidades de caminhos de propagação tanto pelo ar quanto pela estrutura, e devem-se considerar todos os caminhos possíveis para o ruído atingir os ouvidos dos trabalhadores.

Em instalações já existentes, o controle pode ser focado em reclamações específicas no ambiente de trabalho, e níveis excessivos de ruído pode ser quantificados através de técnicas e equipamentos adequados. Em novas instalações, ainda em projeto, possíveis incômodos podem ser antecipados, e níveis de ruído excessivos devem ser estimados com técnicas apropriadas. Como não é possível eliminar totalmente os ruídos, níveis mínimos aceitáveis devem ser determinados pelas indústrias e esses constituírem os critérios de aceitabilidade adequados a cada local de trabalho.

Em ambos os casos, futuras instalações e as já existentes, uma parte fundamental do processo é identificar e quantificar as fontes de ruído e suas contribuições para o ruído global existente. Quando os requisitos para controle de ruído forem quantificados, e as fontes identificadas e classificadas, são possíveis considerar diferentes opções para o controle e, finalmente, determinar a eficácia de custos das várias opções.

Por Vítor Litwincik.