Música e barulho

sound-of-noiseVocê sabe qual a diferença entre música e barulho? A resposta está na cabeça de cada um.

O início do texto nos indica que a percepção sonora possui uma componente subjetiva muito forte. A percepção sonora caminha por uma área da acústica chamada psicoacústica que estuda a relação entre sensações auditivas e as características físicas do som, principalmente, frequência e amplitude e, também, características temporais.

Apesar do ouvido humano ser capaz de ouvir frequências entre 20 Hz e 20.000 Hz, a percepção do som nos humanos é um processo individual em que cada indivíduo percebe e interpreta os sons de maneira diferente. Conforme o comportamento do espectro de frequências de um som, podemos determinar alguns parâmetros psicoacústicos como Loudness, Agudeza, Intensidade de Flutuação, Rugosidade e Tonalidade, que são parâmetros usados para uma classificação subjetiva do som.

Podemos ainda afirmar que fenômenos culturais interferem diretamente no julgamento de um som quando queremos classificá-lo como música ou barulho. Veja um trecho do texto de Lívia Lisbôa.

O som que encanta

O filósofo grego Aristóteles já admitia, no século V antes de Cristo, a dificuldade de se determinar o que é a música. O escritor inglês Samuel Johnson (1709-1784) a definiu como o menos desagradável dos barulhos. No início do século XX, predominava a ideia de que a diferença entre a música e os demais ruídos reside na regularidade das vibrações sonoras – tonalidades e ritmos arrumados de uma maneira uniforme. Essa definição ainda vale para a música convencional, mas é insuficiente diante das obras de vanguarda, que rompem com os padrões tradicionais de ritmo e incorporam o próprio barulho como um ingrediente na composição. E o que dizer de um CD do Sepultura? A imensa variedade cultural do planeta é outro complicador. O que é um som celestial para um esquimó pode ser insuportável para você e vice-versa. Parece piada, mas a maioria dos musicólogos, hoje em dia, reduz essa definição a algo absolutamente simples: música é tudo aquilo que você disser que é música.

O som que perturba

Uma antiga adivinhação perguntava: O que é o que é, vem de carroça, vai de carroça, não serve de nada para a carroça e a carroça não pode andar sem ele? Resposta: barulho. Do ponto de vista científico, o barulho é apenas um som indesejável. O volume nem precisa ser muito alto. Uma torneira pingando no meio da noite pode ser um verdadeiro suplício. Mais de uma vez, o cantor João Gilberto já interrompeu seu show porque o tilintar de copos na plateia, ou o zumbido do ar condicionado, quebrou a sua concentração. Nas grandes cidades, a poluição sonora deixou de ser apenas um incômodo para se tornar um problema de saúde pública. Ela provoca estresse e, em casos mais graves, diminuição da audição. O ouvido não foi criado para enfrentar os barulhos da civilização moderna, afirma o otorrino Ricardo Bento, professor da Universidade de São Paulo. Nos ambientes ruidosos, as células morrem mais cedo do que deveriam.

O som do ruído

Para quem gosta de cinema, o filme sueco O Som do Ruído discute justamente esse tema o que é Música e o que é Ruído. Um policial sem o menor ouvido musical e que vem de uma família respeitada no mundo da música terá que perseguir e pegar um grupo de anarquistas bateristas que espalham o terror na cidade usando espaços e instrumentos não tradicionais para mostrar sua música.

Bom filme!

Por Vítor Litwinczik.