Para que servem os testes de Desempenho Acústico?

ensaio de desempenho, ruído de impacto, nbr 15575, desempenho acústico, 15575No post Desempenho x conforto acústico falamos um pouco da diferença entre desempenho e acústico e conforto acústico e o que as construtoras e os consumidores esperam com a entrada em vigor da norma de desempenho das construções, NBR 15575.

Neste post vamos seguir um pouco mais neste tema e tentar mostrar para que servem os ensaios de desempenho acústico.

Quem mora em apartamento deve perceber que a principal fonte de reclamação entre condôminos é o ruído que vem do “teto” causado pelo caminhar da vizinha com sapato de salto, ou a queda constante de objetos, ou o arrastar de móveis, entre outros. Em busca de resolver a situação sem incomodar quem faz o barulho, o morador tenta resolver o problema colocando forro de gesso que, como sabemos, não resolve por completo o problema.

A melhor solução está em tratar o problema na fonte, ou seja, no piso do vizinho de cima. Tenho observado que muita gente tem comprado apartamento na planta e pedindo para fazer isolamento acústico no andar de cima por conta de não saber quem vai morar lá. Em outros casos esse tratamento acústico parte das próprias construtoras que já estão cientes das reclamações dos consumidores e dos índices de desempenho exigidos na norma NBR 15575.

E como é feito esse isolamento?esquema de laje, nbr 15575, componentes de piso

A forma mais simples seria por meio do uso de carpetes ou tapetes. O primeiro é pouco utilizado por questões de manutenção e praticidade, o segundo depende do gosto do morador, logo nem sempre será possível contar com essa solução. A forma mais eficaz é por meio do isolamento do contrapiso, colocando um material flexível entre a laje e o contrapiso, o conhecido piso flutuante. Existem alguns modelos matemáticos para prever o comportamento de pisos quanto ao ruído de impacto, mas aplicáveis apenas a lajes maciças e dependentes de dados técnicos dos materiais de isolamento que são muito difíceis de encontrar, especialmente no Brasil.

E qual o melhor material para isolamento?

Muita gente me fazem essa pergunta e eu sempre dou a mesma reposta: depende do quanto se pretende isolar. Mais ainda, depende muito da qualidade da instalação da solução. Qualquer imperfeição na instalação pode colocar tudo a perder no que se refere ao isolamento do ruído.

A norma NBR 15575 indica o parâmetro L’nT,w – Nível de pressão sonora de impacto padrão ponderado, como parâmetro para avaliar o desempenho. Então o especificador vai ao mercado em busca de um material que confere o maior nível de isolamento. Busca por especificações que contenham esse índice, ou até mesmo ensaios realizados com o material que por vezes são disponibilizados pelos fabricantes.

Então o engenheiro ou arquiteto mais atento percebe que a laje que vão utilizar na construção é diferente da laje em que foi realizado o ensaio com o material de isolamento! Em geral esses testes são realizados em lajes maciças com diferentes espessuras e o que se encontra em campo são lajes nervuradas, lajes treliçadas com lajotas cerâmicas ou com isopor, lajes protendidas e outras com diferentes espessuras e tipos de acabamento.

Será que o material ensaiado numa laje maciça vai conferir o mesmo desempenho nessas outras lajes?

É nesse momento que entram os ensaios de desempenho acústico, ou seja, esses ensaios, ou testes, servem para conhecer o real desempenho da laje em questão com tratamento acústico ou não. Esses ensaios vão mostra o desempenho atingido pelo sistema construtivo em campo, numa situação real. A falta de dados mais completos e claros a respeito do desempenho acústico de diversas soluções encontradas no mercado, tornam imperativos a realização de ensaios de desempenho nas construções.

Tais ensaios devem ser sempre realizados nas duas situações, uma com a laje normal sem tratamento acústico e outra com o tratamento acústico adotado no projeto. Dessa forma o construtor vai ter a informação correta sobre o desempenho acústico proporcionado pelo sistema de isolamento adotado, se atende ou não o esperado no projeto, quando aplicado na laje que estão construindo. Essa informação permite que a construtora busque por novas soluções em caso de não atendimento às especificações de projeto ou tenha como comprovar que foi realizado o tratamento acústico indicado no memorial descritivo da obra e atingido o desempenho indicado pela norma.

Além dessa informação direta, a construtora começa a ter mais informação sobre os fornecedores e soluções acústicas, quais realmente dão resultados num relação custo x benefício. Com o tempo ela terá um banco de dados e poderá selecionar com segurança qual material deverá ser usado com qual tipo de laje para garantir um bom isolamento acústico.

Para o consumidor isso é uma garantia de que obra foi realizada conforme indicado no memorial e que possivelmente não terá problemas de ruído com o vizinho de cima, sempre considerando que desempenho acústico não é o mesmo que conforto acústico, como já falamos anteriormente.

Por Vítor Litwinczik.